“Cada um por si” na derrota do Torna
Maria Penna

Foi ao meio-dia de um domingo surpreendentemente ensolarado, que o até então vice Tornassol se deixou levar, por pura afobação, pelo AAAP, de Economia. O time de Engenharia Química entrou em campo com expectativa de mais uma goleada, mas, por excesso de confiança somado a uma carência de estratégia, acabou se entregando de braços abertos à marcação do adversário. O placar final, de 1 a 0, demonstrou, entretanto, que, apesar de mal estruturado, havia habilidade no jogo das duas equipes, tornando a disputa extremamente tensa aos olhos do espectador.

O início do primeiro tempo já foi marcado pela ânsia dos vice-campeões em chegar ao gol. Sem praticamente nenhum passe, todo mundo queria virar atacante e levar a bola à área de uma só vez. Destaque, entretanto, para Rafael, o aparentemente líder do grupo, que exerceu duas ótimas defesas na zaga: uma aos quatro e outra aos oito minutos, quando impediu de cabeça que o adversário abrisse o marcador. Aos doze, uma bela tentativa de gol do time; impedida pela brilhante atuação José Bruno, goleiro do AAAP, que também merece reconhecimento por ter segurado, muitas vezes sozinho, as bicadas dos quadriculados. A primeira grande demonstração foi aos sete minutos, quando não deixou entrar a bola bem trabalhada por Felipe Eduardo, camisa dez da equipe adversária. Apenas três minutos depois, mais uma, a seu canto esquerdo. Do outro lado do campo, uma surpresa. Márcio, do Torna, substituiu o goleiro Dan, ausente na partida. Sem decepcionar, sua atuação foi digna de goleiro titular. Defendeu ainda melhor durante todo o jogo, compensando as falhas do restante do time. As melhores demonstrações vieram ao fim da primeira etapa, ao agarrar a cobrança de falta aos dezessete e a bola que vinha à sua direita, aos dezoito.

O segundo tempo começou bem melhor para o lado do Tornassol, que resolveu armar melhor as jogadas e ir com mais calma ao ataque. Dudu passou para Thiago, em jogada bem trabalhada aos sete minutos, mas a defesa de Zé Bruno impediu a pontuação. Por medo de tomar gol, por outro lado, a equipe de Economia se manteve concentrada atrás, negligenciando o meio de campo. A estratégia não foi inteiramente ruim, já que a marcação sobre o grupo de Engenharia Química aumentou e, assim, suas oportunidades diminuíram. Alguns minutos à frente, o desespero cresceu sobre o time, abrindo espaço para o AAAP. E foi justamente nessa brecha que Vinícius marcou no último minuto da partida. A reação do camisa 16 do Torna, Rafael, foi isolar a bola ao perceber que não iria para casa feliz.

O que mais atrapalhou a atuação do time perdedor foi a falta de entrosamento entre os jogadores. Cada um entrou em campo com suas táticas pessoais, sem nenhuma combinação em equipe. Para que consiga, então, fazer bonito mais uma vez na Copa Campus, o Torna vai precisar baixar o ego e fazer o que já deveria ter feito há muito tempo: treinar, experimentar. Com essa política do “cada um por si e Deus por todos” mais derrotas virão pela frente. A vitória do AAAP adiou a definição dos classificados pelo grupo Fernando Henrique. Os quatro times que o compõem somam três pontos. Cada um vem de uma vitória e de uma derrota. No próximo fim de semana, o Tornassol, vice-líder pelo saldo de gols, enfrentará o líder, Geomata. O AAAP lutará para se classificar em jogo contra o FFC. Com times cheios de garra em busca do título, o grupo F promete fortes emoções na briga pela vaga na segunda fase da 8ª Copa Campus.