Não que eu entenda muito de Futebol, mas em um país
reduto de grandes astros da bola, qualquer cidadão já
nasce sabendo, intuitivamente, quando se trata de um jogo dos
bons ou quando se trata de um jogo mais desajeitado.E é
por via não de técnica, mas de puríssimo
bom senso, que consegui dar umas boas gargalhadas com o jogo Seu
Tião X Panela.
Antes mesmo do apito inicial, já estava alertada a respeito
do recorde de maior saldo negativo de gols da Copa Campus, conquistado
pelo “sempre eliminado” Seu Tião. Não
tendo tido acesso, da mesma forma, a nenhum comentário
positivo sobre o adversário Panela, confesso não
ter me sentado muito entusiasmada à arquibancada do campo
3.
A diversão, entretanto, não demorou a aparecer.
Aos primeiros minutos do primeiro tempo, já pude me sentir
platéia de uma grande aula de dança contemporânea
a campo aberto, com todas aquelas acrobacias e rolamentos incríveis
ao chão. Sem nenhuma garra, prazer, ou habilidade em jogar,
acredito ter sido essa a única saída para se conseguir
um belo espetáculo.
Parecia faltar nas equipes, especialmente na de Serviço
Social, o mais imprescindível em qualquer coisa na vida:
vontade. Não vi vontade de vencer, vontade de fazer bonito
ou vontade de perder com cabeça erguida. Vi só um
sentimento explícito de estorvo, de descrença em
si próprio.
O problema técnico, acredito, (mais uma vez por bom senso)
estava na falta de estrutura da equipe perdedora. Nem mesmo a
barreira era bem colocada. Na marcação de falta
aos 6 minutos do segundo tempo viam-se apenas dois jogadores tentando
bloquear a bola.
Justiça seja feita! Panela também não deu
show, apesar do placar massacrante de 6 a 1. Se aproveitou do
caráter novato do time adversário para conquistar
sua primeira vitória na competição. Aliás,
o mais hilário foi o gol marcado aos 40 segundos do segundo
tempo, por Rafael Dutra, o grande destaque do jogo, com três
gols. Não foi por questão de técnica ou habilidade
do jogador, mas sim pelo sumiço que o goleiro do Seu Tião
deu entre as traves, fazendo sabe-se lá o que a alguns
metros de distância de onde, por definição,
deveria estar. Lucas Baldanza, Ruy Andrade e Marcelo Cozzolino
completaram a fácil vitória do time de Educação
Física. Rafael descontou para o time de Serviço
Social.
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