Festival de Dança na vitória do Panela
Maria Penna

Não que eu entenda muito de Futebol, mas em um país reduto de grandes astros da bola, qualquer cidadão já nasce sabendo, intuitivamente, quando se trata de um jogo dos bons ou quando se trata de um jogo mais desajeitado.E é por via não de técnica, mas de puríssimo bom senso, que consegui dar umas boas gargalhadas com o jogo Seu Tião X Panela.

Antes mesmo do apito inicial, já estava alertada a respeito do recorde de maior saldo negativo de gols da Copa Campus, conquistado pelo “sempre eliminado” Seu Tião. Não tendo tido acesso, da mesma forma, a nenhum comentário positivo sobre o adversário Panela, confesso não ter me sentado muito entusiasmada à arquibancada do campo 3.

A diversão, entretanto, não demorou a aparecer. Aos primeiros minutos do primeiro tempo, já pude me sentir platéia de uma grande aula de dança contemporânea a campo aberto, com todas aquelas acrobacias e rolamentos incríveis ao chão. Sem nenhuma garra, prazer, ou habilidade em jogar, acredito ter sido essa a única saída para se conseguir um belo espetáculo.

Parecia faltar nas equipes, especialmente na de Serviço Social, o mais imprescindível em qualquer coisa na vida: vontade. Não vi vontade de vencer, vontade de fazer bonito ou vontade de perder com cabeça erguida. Vi só um sentimento explícito de estorvo, de descrença em si próprio.

O problema técnico, acredito, (mais uma vez por bom senso) estava na falta de estrutura da equipe perdedora. Nem mesmo a barreira era bem colocada. Na marcação de falta aos 6 minutos do segundo tempo viam-se apenas dois jogadores tentando bloquear a bola.

Justiça seja feita! Panela também não deu show, apesar do placar massacrante de 6 a 1. Se aproveitou do caráter novato do time adversário para conquistar sua primeira vitória na competição. Aliás, o mais hilário foi o gol marcado aos 40 segundos do segundo tempo, por Rafael Dutra, o grande destaque do jogo, com três gols. Não foi por questão de técnica ou habilidade do jogador, mas sim pelo sumiço que o goleiro do Seu Tião deu entre as traves, fazendo sabe-se lá o que a alguns metros de distância de onde, por definição, deveria estar. Lucas Baldanza, Ruy Andrade e Marcelo Cozzolino completaram a fácil vitória do time de Educação Física. Rafael descontou para o time de Serviço Social.