Meninas da EEFD fazem história e ficam com o título da 1ª Copa Campus feminina
Assis Chateaubriand

Para muitos o futebol é um grande balé, talvez o mais belo e criativo de todos. Exemplos que dão força a essa afirmação não faltam na história do esporte. Pelé, Puskas, Garrincha, Di Stefano, Maradona, Romário são apenas alguns “bailarinos” que fizeram coreografias eternas com a bola nos pés. Mas são as mulheres que dão um brilho especial, um colorido, um charme que só o universo feminino possui. Marta, Prings, Daniela Alves, nos tempos mais recentes, conseguem transformar o futebol numa das grandes artes da humanidade. Nada que exista no mundo, por melhor que seja, se não tiver a presença feminina, é incompleto; é tão desprovido de nobreza quanto o mais falso dos diamantes. Por isso essas mulheres teimosas, guerreiras e habilidosas, que teimam contra o preconceito, guerreiam contra a desconfiança e driblam as dificuldades e a falta de apoio são a inspiração que faltava para fazer do futebol não só o maior dos esportes, mas também a maior atividade da vida humana. Na Copa Campus, os campos eternizados Por Pablo Arruda, Diego Quintela e Matheus Webber, três ícones de habilidade e gols da história da competição, ganharam a partir deste final de 2007 a companhia da turma comandada por Jamile Marques. A camisa sete do EEFD, o primeiro campeão universitário de futebol da UFRJ, primeiro time feminino a levantar a Copa Campus, fez da bola sua tinta e dos seus pés, pincéis inspirados, criativos, mágicos, nasceram jogadas maravilhosas, dribles dantescos e gols nota dez. Dez gols, dez motivos para fazer do futebol feminino e da Copa Campus Feminina, mais que uma realidade, uma necessidade para o futuro do futebol feminino brasileiro. Já na semifinal, quando seu time fez das boas e aguerridas meninas do Escola de Frankfurt, comandadas pela excelente Camila Nogueira, outra que faz valer a pena ver mulher jogar bola, presas fáceis numa goleada de 13x1, Jamile balançou as redes seis vezes e já mostrava que seria a dona do domingo, e da Copa. Falando desse jogo, o preparo físico e a maior técnica e conjunto do time de Educação Física, falaram mais alto e decretaram o destino do jogo. Na decisão frente ao Ótimas de Pareto, o jogo foi mais duro, mas o 5x0 teve três marcas de Jamile. Com muita certeza, não é exagero afirmar que Jamile tem futebol para jogar até na Seleção. Mas o time de ouro da I Copa Campus Feminina da UFRJ também tem outras grandes jogadoras. No gol, a campeã Marion Cony, de nome nobre na linhagem literária brasileira, mostrou segurança, liderança e muita técnica começando pelo gol o excelente time campeão do EEFD. A dupla de zaga traz mais uma menina do time de Educação Física. Patrícia Moreira parece uma Beckembauer de saias, tamanha sua classe, sua habilidade e sua presença de área, apesar do corpo frágil. Sua companheira vem de uma equipe que jogou apenas duas vezes, o Nunca Serão, mas o suficiente para explicitar o tamanho da qualidade de uma mulher de mais de 1,75 de altura e cheia de classe. No meio, a dupla Tainá Brito e Íris, respectivamente do Mangue, terceiro colocado, e ótimas de Pareto, vice, enchem os olhos pelo estilo clássico e charmoso de levar a bola nos pés. E no ataque, ao lado de Jamile, Camila Nogueira e seu pseudo-desinteresse pelo jogo, no bom estilo Romário de ser, mas que esconde um turbilhão de habilidade e classe. Essas meninas, mesmo sem saber, escreveram mais um capítulo na história da consolidação do futebol feminino no Brasil; porque é das universidades que virão as grandes jogadoras do futuro da nossa seleção.

1ª Copa Campus Feminina

Campeão: EEFD
2º Lugar: Ótimas de Pareto
3º Lugar: Mangue
4º Lugar: Escola de Frankfurt

Artilheira: Jamile Marques (EEFD) – 10 Gols
Melhor Jogadora: Jamile Marques (EEFD)

Seleção:

Marion Cony (EEFD)
Patrícia Moreira (EEFD)
Vivi (Nunca Serão)
Tainá Brito (Mangue)
Íris (Ótimas de Pareto)
Jamile Marques (EEFD)
Camila Nogueira (Escola de Frankfurt)