Homem gol nada, homem do gol
Monique Pereira


Ninguém dava nada pelo jogo do campo 3, excepcionalmente às 17h, no último domingo. O time de Educação Física, UTI F.C., já eliminado da competição, cumpria tabela contra o Nacional, do curso de Direito, que ainda disputava a última vaga para a segunda fase da Copa Campus com o Fummus Boni Iuris, companheiro de faculdade. O humilde placar de 2 a 1 para o UTI não traduziu a emoção do embate, principalmente em relação aos goleiros de ambos os times.

No primeiro tempo, o Nacional já começou ameaçando com uma bomba do meio do campo espalmada por Bruno Vianna, goleiro do UTI. Aos três minutos, o goleiro Nelson Tinoco, do Nacional, saiu na frente dos atacantes do UTI, duas vezes seguidas, e socou a bola para o meio de campo, em defesas decisivas. Sem dúvida, Nelson era o nome da partida, quando o UTI tentou pressionar com mais dois chutes de fora da área, que pararam nos braços do goleirão do time de Direito. O goleiro do UTI, Bruno, quis mostrar que não estava por baixo e, aos nove minutos, realizou três defesas espetaculares com chutes de rebote a menos de três metros do gol. Aos 12, Nelson repôs a bola como jamais se viu e iniciou o contra-ataque do Nacional, que só ameaçou e a chance foi desperdiçada. Por volta dos 13 minutos, o Nacional recuperou a posse de bola e procurou a rede adversária com a tabela de Daniel Nogueira e Hugo Fernandes, que foram eficientemente detidos pelo goleiro do time de Educação Física. E finalmente, após insistir tanto, aos 16 minutos da primeira etapa, Daniel Nogueira do Nacional entrou fácil na zaga da equipe adversária e cravou o gol bem no meio do patrimônio do UTI. Apresentando uma fantástica visão de jogo, mais uma vez, Nelson surpreendeu e “calçou” o próprio companheiro do time por precaução, devido a possibilidade da chance de ataque da equipe de Educação Física — ganhou alguns “reclamões”, mas agiu bem, Nelson! Para fechar com aquela chave de ouro, o goleiraço de Direito recebeu uma bomba no canto direito de defesa e espalmou a danada com muita precisão. Nacional: 1, UTI: 0.

Na volta do intervalo, o UTI estava nitidamente sem fôlego, e o Nacional continuava pressionando. Porém aos seis minutos, Allan Carvalho, do UTI, calou a boca da cronista, após finalizar um lindo gol que pipocou nos pés de três autores potenciais. O time de Educação Física se empolgou e, no minuto seguinte, ameaçou com mais um chute, que passou raspando na trave esquerda de ataque. O UTI estava impossível no segundo tempo e desperdiçou mais outra chance de ampliar o placar com Carlos Henrique, que chutou a bola por cima, na cara do gol. Aos 12, o gol vazio do Nacional não foi o suficiente para convencer a equipe de Educação Física a mandar na rede do adversário, e foi menos um na lista de possibilidades. Por volta dos 13 minutos, uma falta muito bem cobrada pelo UTI, no ângulo direito de ataque, foi defendida pelo nosso já conhecido Nelson. Aos 15, a equipe de Educação Física mostrou que o grupo é essencial para o sucesso. Thiago Aguillar auxiliou seu goleiro e tirou com a cabeça uma falta do Nacional, que certamente entraria. Para a definição do embate, aos 19 minutos, o juiz marcou pênalti contra o Nacional, que precisamente foi convertido por Thiago Aguillar a pedido de sua namorada, que não se continha na arquibancada e estava quase entrando em campo. Virada do UTI: 2 a 1. Para aumentar o suspense, aos 22 minutos, o Nacional bateu um tiro livre do meio do campo, devido à regra da sexta falta, mas a redonda não encontrou o gol adversário. Já roendo as unhas, o UTI sofreu. Escapou da ameaça de outro tiro livre, pela sétima falta, mas agora a apenas dois passos da marca do pênalti, que foi inacreditavelmente defendido por Bruno, goleiro de Educação Física. No finalzinho, o UTI tentou ampliar a vitória com um chute de Carlos Henrique no canto esquerdo de ataque, mas a bola parou no “paredão” Nelson Tinoco. Eis que a agonia chega ao fim: UTI 2, Nacional, 1; no campo 3 do Batistão.

O UTI está fora, mas, com certeza, sai de cabeça erguida, visto que derrotou o segundo time mais forte do Grupo Gabriel — que só perde para o Atuária F.C. — no jogo de despedida. Já o Nacional segue na competição como único representante do curso de Direito. Da próxima vez, o UTI pode dar uma atenção melhor à finalização dos gols, que em grande parte foram desperdiçados por nervosismo. E considerando a espetacular atuação de Nelson Tinoco, que defende e repõe a bola sempre pensando no time, o Nacional deve passar a priorizar o conjunto, e não manter o individualismo que apresenta em campo. Deve ser coisa de advogado... Até lá!