Na disputa por vaga, Severinos sobrevive
Jefferson Carrasco


O clima no pré-jogo era distinto nas duas equipes que se enfrentaram às 13 horas, no campo 2, do Batista. Enquanto o Letras Futebol, de uniforme rosa, se demonstrava descontraído e extrovertido, brincando com a sua torcida feminina, o Severinos Nunca Morrem, de vermelho e branco, transbordava concentração durante o aquecimento. Assim, o juiz deu o apito inicial para o embate que prometia uma vaga no grupo Obina para a segunda etapa da Copa. O empate em 3 a 3 garantiu a classificação do time de Comunicação Social.

O primeiro tempo começou com uma disputadíssima posse de bola. Severinos tocando, Letras Futebol marcando. Letras atacando, Comunicação defendendo. O confronto se manteve na ameaça de gols até o 11º minuto, quando Paulo Victor, do time rosa, recebeu um lançamento, dominou no peito e marcou um belíssimo gol. A resposta do adversário veio em seqüência com Lucas, que empatou livre de marcação. A ansiedade crescia a cada lance tanto na torcida, quanto em campo. Eduardo, do vermelho e branco, tocou para Bruno Serman, que ficou com preguiça de alcançar a bola e mereceu ouvir de Eduardo Ribeiro: “Dá um piquezinho, Serman!”. As finalizações saíam imprecisas, as faltas começaram a se repetir e os times não evoluíam, a não ser nas investidas intencionais no corpo do opositor. O fim dos primeiros 20 minutos veio com um aviso de um juiz também irritado: “Acabou, tá? Acabou. A próxima é cartão”. A saber: 1 a 1.

O intervalo praticamente repetiu a cena antes do jogo. Os rosinhas voltaram para sua torcida, tentando recuperar forças com beijinhos das respectivas namoradas. Já os vermelho-e-brancos se juntaram para discutir o que tinha se passado no primeiro tempo. Então, o apito do juiz. A marcação e a correria continuaram presentes e, aos seis minutos, Serman, o que precisava de um “piquezinho”, deu o passe para Joãozinho marcar para o Severinos, numa tabela eficaz. O Letras não deixou barato e voltou a emplacar aos dez minutos, com um passe de Diego Teixeira para Paulo Victor. O gol do rosinha empolgou uma namorada na arquibancada: “Vamos gritar, gente, vamos!”, que organizava um coro com as amigas para animar os namorados. 2 a 2. Mas, na verdade, elas devem ter enchido a cabeça de alguns jogadores como a do cronista. Tanto que, aos 15, Diego, do time do Fundão, foi expulso, por ter tomado o segundo amarelo, e tentou agredir um jogador da Praia Vermelha, em revolta à ação do juiz. Depois da cena instigante (pelo menos para o cronista), a torcida foi silenciada e os Severinos ganharam força para balançar a rede aos 17 minutos com Serman (que ouviu realmente os conselhos de Eduardo). O Letras, no entanto, não desistiu da vaga e, com um a menos, no último lance da partida, empatou pela terceira vez com João Ricardo que, numa bela jogada, seguiu com a bola sozinho ao longo de todo o campo, driblando, até marcar. Fim de jogo: 3 a 3.

Com o empate, o Severinos Nunca Morrem se mantém na disputa pelo bicampeonato. Já o Letras Futebol volta para a Ilha do Fundão, sentindo-se injustiçado. Segundo Clara, uma torcedora dos rosinhas não-histérica, que assistiu a partida comportada, “o time jogou melhor a primeira partida”. A voz da torcida é a voz de Deus. Que na próxima Copa Campus, o Letras jogue melhor todos os jogos. Até lá.