Suado

 

Sylvio Santos

O prenúncio de um jogo entre o primeiro lugar do grupo, que depende apenas de seu resultado para alcançar a vaga, contra um time já eliminado, apenas cumprindo tabela é previsível: triunfo fácil e classificação assegurada ao líder. Entretanto, o que se viu no jogo entre Atuária FC e Sequela foi totalmente diferente. O time de Ciências Atuariais, que entrou em campo na ponta do grupo Nelson Rodrigues, sofreu muito para vencer o já eliminado time azul: vitória magra por 1 a 0, com o gol da vitória saindo apenas a dois minutos do fim da partida.
Apesar da liderança do Atuária dar-se apenas pela ordem alfabética, já que empatava em todos os critérios com o Manguemata, a tarefa da equipe de Ciências Atuariais era fácil, pois o empate já bastava para avançar a próxima fase. E essa confortável vantagem fez com que a equipe entrasse em campo muito sonolenta. O Seqüela, sem pretensões, também não se expunha, deixando a partida muito presa no meio campo. A marcação forte das duas equipes impedia que as oportunidades aparecessem,  o Atuaria FC, satisfeito com o resultado, administrava a partida.
Até a metade do primeiro tempo, a estratégia da equipe verde-limão obteve sucesso. No entanto, o time de Economia, com maior posse de bola e com boas jogadas do arisco Heber Leal, começou a ameaçar o gol de Chapeleco, e, com a vitória parcial do ECCA, o fantasma da desclassificação rondava o curso de Ciências Atuariais. Foi então que o Atuária resolveu vencer a partida. Pôs Pedro Barreto em campo e partiu para cima. O mesmo Pedro Barreto obrigou o goleiro Jonas Salem a fazer duas grandes defesas e, na única falha do bom sistema defensivo da equipe de Economia, perdeu outra oportunidade. O Seqüela ainda respondeu em um bom chute de Adriano Duarte, mas o zero insistiu em permanecer no placar até o final do primeiro tempo.
O segundo tempo começou assim como começara o primeiro: jogo embolado no meio de campo, muita marcação e uma aplicação tática excelente das duas equipes. Só que desta vez os principais jogadores do Atuária resolveram aparecer, Caio César, Victor Furtado e Pedro Barreto comandavam as ações da equipe que, pela primeira vez em todo o jogo, dominava a partida, esbarrando apenas no forte defesa adversária, fechada a sete chaves pela louvável disposição da equipe azul. A esta altura, o Manguemata já havia virado a partida contra o ECCA e o medo de perder a vaga já estava longe do atual vice-campeão da Copa Campus. Confortável, a equipe verde-limão agora estava mais preocupada em conseguir o que parecia impossível àquela altura: derrubar uma muralha azul. E efetivamente o Atuária pressionava. Ricardo Cunha começou o bombardeio, seguido de Luis Brito e de Caio César. O Seqüela não se entregava, marcava bem e num contra-ataque quase abriu o marcador com Marcos Rebelo. No mesmo instante do gol de Bernardo Jóia, o terceiro do Manguemata, o Atuária teve a melhor chance de abrir o placar, quando o juiz marcou recuo de bola da zaga do time azul: tiro livre indireto dentro da área. Na cobrança, Jonas Salem fez mais uma grande defesa. Minutos finais e classificação assegurada. Quando tudo rumava ao zero a zero, e o próprio time de Ciências Atuariais já se conformava com o resultado, Luis Brito apareceu como elemento surpresa, para marcar o gol da vitória. Resultado final: Atuária 1 a 0 no Seqüela.
O gol no final da partida deu ao Atuária o quarto lugar na classificação geral com dezesseis pontos, enfrentando nas quartas-de-final o Tramóia, quinto colocado, com quinze. Adversário difícil, prenúncio de grande jogo, principalmente pelo duelo entre o grande goleiro Chapeleco e o artilheiro Felipe Andriotti. Já ao Seqüela, eliminado, resta os parabéns pelo empenho e dedicação em campo e pelo sempre presente prestígio dado ao campeonato, do qual participa desde a primeira edição.