|
|
|||||||||||
![]() |
|||||||||||
"Mangue mata" do coração |
|||||||||||
Renato Senna |
|||||||||||
![]() |
|||||||||||
Que o futebol é uma caixinha de surpresas, isso todo mundo já sabe. Que o jogo só acaba quando o juiz apita, tudo isso já é conhecido. Agora, o futebol criou um outro ditado: a palavra “impossível” definitivamente não está no dicionário do Manguemata. A equipe de Geografia empatou em 4 a 4 com o Tramóia e garantiu, nos pênaltis, o terceiro lugar na IX Copa Campus. Isso depois de estar perdendo por 4 a 1, faltando dez minutos para o término da partida. O jogo começou em ritmo bastante lento. O sol forte que esquentava o Batista obrigou as duas equipes a cadenciar o jogo e a executar a marcação no campo de defesa. Mesmo assim, os times tiveram várias oportunidades. Lélio Polessa, logo aos dois minutos, arriscou duas vezes, batendo cruzado da direita. Uma foi defendida pelo goleiro Pedro Henrique, a outra cortada pela defesa. O lado esquerdo da defesa do time de Administração parecia ser o caminho para o gol. E Júlio Fernandes percebeu isso, pois, aos quatro minutos, ele avançou com liberdade pela direita, bateu cruzado, Pedro Henrique deu rebote e Álvaro Carlos, o aniversariante do dia, abriu o placar. Então, o time de azul entrou no jogo e começou a buscar o empate. Fabinho poderia ter conseguido igualar a partida, mas o travessão o impediu. Logo depois, o mesmo Fabinho ganhou na raça e rolou para Gustavo José, o Muskito, mas Marquinhos evitou o gol. A equipe de amarelo quase ampliou, quando Júlio Fernandes, em linda jogada, matou a bola no peito e tentou um belo voleio, só que a bola passou por cima do travessão. Depois disso, o Manguemata se acomodou com o resultado de 1 a 0 e caiu na armadilha de recuar, dando espaços aos habilidosos meias adversários. Assim, o Tramóia chegou ao empate, com Muskito, contando ainda com a ajuda de um oponente, que tentou cortar o chute, mas jogou a bola contra a própria meta. Andriotti virou o jogo, ao receber lindo lançamento de Renan Duque, dominar com extrema categoria e chutar no cantinho, tirando qualquer chance de defesa do goleiro. Pedro Henrique evitou o empate fazendo duas defesas com o pé, em chutes de Álvaro e Bernardo, garantindo assim o placar de 2 a 1 para os futuros administradores, no primeiro tempo. O Manguemata apostava nas tabelas entre seus jogadores, enquanto o Tramóia lançava bolas, com sucesso, para seu pivô Fabinho e contava com a habilidade de Andriotti na frente, com muita liberdade para criar jogadas de perigo. Andriotti continuou sendo um problema para os futuros geógrafos na segunda etapa. Logo no comecinho, o atacante recebeu passe de peito de Fabinho e carimbou o travessão. Aos sete minutos, brilharam as estrelas de Muskito e Fabinho. Primeiro, Muskito fez excelente jogada individual e rolou para o pivô aumentar a vantagem. Pouco depois, o meia lançou o atacante nas costas de três zagueiros, que ficaram olhando Fabinho fazer 4 a 1. Andriotti ainda teve a chance de marcar mais um em cobrança de falta, mas parou numa defesa sensacional de Luís Felipe Cabral. O placar elástico e a superioridade fizeram com que o Tramóia relaxasse. Quanta ingenuidade! Quem conhece o Manguemata sabe que, em momento nenhum, se pode diminuir o ritmo contra eles. Mesmo sem o apoio da tradicional torcida barulhenta, o time do Fundão mostrou sua famosa raça, sem se deixar abater pelo placar desfavorável. Assim, Lélio Polessa fez o primeiro da reação, após cobrança de falta de Júlio Fernandes. Logo depois, o mesmo Lélio tabelou pelo já conhecido lado direito da defesa azul e chutou cruzado, diminuindo a vantagem para 4 a 3 e incendiando a partida. Os jogadores da equipe da Praia Vermelha pareciam um pouco assustados com a recuperação adversária e mal conseguiam criar oportunidades de gol. Desta forma, Júlio, aos 14 minutos, fez o que, cinco minutos antes, parecia ser impossível: empatou com um belo gol de peixinho. O gol resumiu muito bem o espírito de luta do time de amarelo, que, em toda a Copa, se superou jogo após jogo, com atuações memoráveis pela incrível raça de seus jogadores. Com o empate em 4 a 4, a decisão do terceiro lugar foi para os pênaltis. Há quem diga que disputa por pênaltis é loteria, mas os atletas de Manguemata e Tramóia mostraram que é, na verdade, fruto de muito treino e calma na hora da cobrança. De um total de 12 cobranças, apenas três foram desperdiçadas. Léo, Álvaro, Júlio, Lélio e Diego converteram para o time de Geografia, apenas Bernardo perdeu. Do lado da Administração, Andriotti, Fabinho, Renan e Felipe marcaram. Muskito perdeu a penúlitma cobrança e Thia Thia acertou a trave o pênalti decisivo, dando o troféu de terceiro lugar para o Manguemata. O futebol realmente é cruel. Pelo que jogaram as duas equipes ao longo da competição, ambas tinham plenas condições de chegar à final. O resultado foi um consolo para os futuros geógrafos, que haviam perdido a vaga na final justamente nos pênaltis. O futebol está legal, só falta, no próximo semestre, um pouquinho mais de sorte para que os dois times tenham um sucesso ainda maior na próxima Copa.
|
|||||||||||