A torcida lotada, os troféus no campo ao lado, pronto para ser entregues e a chamada das jogadoras, uma a uma, mostrou a importância daquele momento. Quando o hino nacional foi executado as jogadoras do Nacional e do Smirnoff FC tiveram a certeza que, independente do time vencedor, elas estavam fazendo história. Era a final da segunda Copa Campus Feminina.
De um lado, a experiência da atual campeã, o Smirnoff, de outro, a garra da equipe de Direito, embalada pela torcida presente em bom número ao Batista. Antes do início, os técnicos comandaram o aquecimento, cada um em um campo, e ficaram ao lado de suas jogadoras até o apito final. As jogadoras do Nacional estranharam a bola: “Não é com essa que a gente treina, é muito mais leve”. Então, treinaram finalizações e penaltis para se acostumarem com a bola. Ninguém estava ali para brincadeira.
A partida começou sem muitos lances de perigo, as equipes se estudavam, não arriscavam muito e preferiam administrar a posse de bola, subindo pouco ao ataque. O primeiro chute a gol foi com Jamile, do Smirnoff, para boa defesa da goleira Mila, que fez outras duas boas defesas, até ser vencida por Daniela Beckert, que num chute forte abriu o placar para as meninas de educação física. Em seguida, após cruzamento, Mariana Bitterncourt perdeu a chance de ampliar. O castigo veio com Fernanda Kelly, que acertou um chutaço do meio campo, indefensável. Fernanda ainda tentou mais um, de cabeça, mas a bola foi para fora. O primeiro tempo terminou muito equilibrado, e deu indícios de que a equipe vencedora seria decidida por um detalhe.
A torcida do Nacional podia ser o detalhe que faltava para sagrar sua equipe campeã, mas preferiu entoar cantos desrespeitosos às jogadoras adversárias e aos profissionais de educação física, em vez de apoiar o próprio time. As ofensas não abalaram as jogadoras do Smirnoff, que entraram mais motivadas para a última etapa. Jamile chutou do meio campo de forma despretensiosa, mas a bola acabou entrando com a contribuição da goleira adversária: 2 a 1. A partir daí, foi só emoção. O time de Amarelo e Azul buscava o empate, desperdiçava chances, obrigando a goleira e as zagueiras do time azul e branco a trabalharem, enquanto as meninas de educação física apostavam no contra-ataque para decidir o jogo. Nos útlimos minutos, dois lances poderiam ter mudado o rumo da decisão: Fernanda, do Smirnoff, quase marcou contra e Carolina, do Nacional, perdeu uma chance com o gol aberto, chutando para fora. O juiz apitou o fim da partida, e os técnicos entraram em campo para cumprimentar suas jogadoras. Enquanto o Smirnoff comemorava o bi campeonato, a equipe do Nacional se reuniu por um bom tempo no gramado, certas de que haviam feito uma bela campanha e um grande jogo na final.
Se no masculino nenhuma equipe de Educação Física venceu alguma edição, na Copa feminina a soberania é total. Terceiro e primeiro lugares ficaram com equipes da EEFD, e levaram mais troféus para o Fundão. Para o Nacional, restou comemorar o bicampeonato da equipe masculina e a garra da equipe feminina, que lutou até o fim. Apesar do favoritismo das equipes de Educação Física – que treinam regularmente três vezes por semana-, a Copa feminina mostrou um grande equilíbrio entre as equipes, principalmente na fase final, com partidas muito equilibradas. Promessa de uma terceira edição repleta de grandes jogos.
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